Cabo Polônio e seus encantos

Mesmo super cansada, a cervejinha a noite no hostel era convidativa demais para ignorar. Lá fomos nós beber até as tantas e não nos preocupamos em ver o horário do busão para Cabo Polônio no dia seguinte. Conclusão: perdemos os horários da manhã. Acontece que o ônibus para Cabo Polônio sai 3 vezes ao dia – fora de temporada como fim de novembro – 8 AM, 10 AM e 3:15 PM. Corremos pra rodoviária na esperança de haver outros horários mas realmente, só tinha o de 3:15 PM. Meu consolo foi andar pelo terminal com meu mochilão a procura de vinhos, petiscos, e outras coisas para levar para Cabo.

A empresa que faz o percurso fora de temporada é a Rutas del Sol e custa 548 URY – R$70. A viagem dura em torno de 4 horas e meia até Valizas, que é onde pegamos a 4X4 para Cabo Polônio, uma península a 260 km de Montevideu, onde não existe luz elétrica, água encanada, asfalto e nem internet – motivos que me motivaram a ir 🙂

Toda área de Cabo Polônio é protegida e declarada Reserva Natural da Biosfera pela UNESCO. Por isso somente carros autorizados podem entrar no local, como os caminhões 4×4. Por 170 URY, ida e volta, em uma viagem de aproximadamente 20 minutos, esses caminhões te levam até este pedaço de céu! Fomos na última 4X4 as 8:30 PM e este foi o maior exemplo de males que vem para o bem. Perder o busão da manhã, ir no da tarde e fazer o pecurso de 20 mins por dunas e praias iluminados somente pela lua cheia e o céu estrelado, está no TOP 3 de melhores experiências de mochileira. A 4X4 sai de hora em hora em alta temporada, e em baixa temporada mais espaçado.

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Cabo Polônio visto do alto da 4X4 🙂

Onde se hospedar? Ficamos no hostel Viejo Lobo. Fica exatamente na parada final da 4X4.  Rústico, simples e acolhedor, eu diria. Quartos compartilhados e de casal. Internet 1 hora por dia. Água quente 24 horas, a noite a luz vem de luzes de led espalhadas pelas paredes, e principalmente de velas. Logo na primeira já noite me juntei a galera do vinho para ficar até as tantas curtindo uma boa conversa a luz de velas 🙂

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O que fazer? Nas ilhas em frente a parte norte do Cabo, milhares de pontos pretos indicam a presença dos lobos marinhos, e logo acima deles fica o famoso farol que ilumina Cabo a noite. A subida de 130 degraus até o farol custa 20 URY. Foi legal subir, acredito que seja muito mais bonito em dias ensolarados.

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Vista do Farol

Como boa brasileira que sou, em algumas horas já estava na rodinha dos poucos estrangeiros que assim como eu, estavam apaixonados por Cabo fora de época e curtindo o famoso mate para esquentar os neurônios. hi hi hi

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Era noite de thanksgiving e uma americana lançou a idéia de fazermos um jantar de Thanksgiving – todos topamos! No fim, eram mais garrafas de vinho do que opções de comida, mas a medida que a galera de outros hostels chegavam, formávamos um grupo super introsado que levou a sério a bagunça até as 4 da manhã!

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Existem restaurantes em Cabo Polônio, e o preço não está muito diferente do Rio de Janeiro, por exemplo. Mas é evidente que a opção de comprar e cozinhar é muito mais econômica. E assim o fiz, na maior parte do tempo lá. Comprávamos pasta, pães, doces, e… muito vinho! Rachando por 5 saía baratinho e a cozinha de lá era super equipada! 🙂

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Hora do rango!

No dia seguinte pela manhã choveu torrencialmente, então curtimos uma preguiça com um papo cabeça. Mas a tarde a chuva deu uma trégua e fomos pro lado sul de Cabo Polônio, onde ficam as dunas. Este cachorrinho gostoso, da Vicky que trabalha no hostel, nos seguiu por pelo menos 3 horas entre as dunas. Mesmo com muito vento, frio e neblina, foi uma caminhada deliciosa!

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corridinha de leve com o companheiro 🙂

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voltando a ser criança!

Essa noite foi embalada por 2 argentinas e alguns uruguaios que invadiram o hostel para cozinhar tubarão com muito vinho branco! Embalados por um ukelele amigo, era inevitável não sair as 11 da noite pela porta do hostel para sentir aquele cheirinho de mar, ouvir as ondas, e guardar para sempre na memória a imagem daquela vila escura, sendo iluminada apenas pelo Farol, soberano entre as entrelas.  Tudo indicava um último dia ensolarado e feliz em Cabo e assim o foi 🙂

Acordamos cedo, e logo veio o uruguaio que mora na vila com sua esposa. Ela faz os pães e todos os dias ele entra no hostel as 10:45 vendendo baguetes caseiras e quentinhas por 45 URY. Depois disso, saí para uma voltinha sozinha pela vila.Encontrei o dono de uma das milhares de vendinhas de artesanato e engatamos um papo cabeça. Quando falei que me apaixonei por lá, ele me disse que muito estrangeiros voltam para viver lá um tempo. Disse também que em alta temporada, como em janeiro e fevereiro a vila recebe pelo menos 5 mil pessoas por dia, tendo apenas acomodação para 2 mil.

Tudo muda de figura com o sol… e com a saudade antecipada desse lugar!

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assim passamos a maior parte do tempo…

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ou assim…

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assim também 🙂

 

Câmbio: o ideal é trocar pesos o suficiente para não precisar trocar lá. No mercado eles fazem câmbio mas é, no mínimo, 80 centavos a menos que em Montevideo.

Mercado: único mercado de Cabo Polônio, vende quase todo o básico para sobreviver. Nada de luxo!

Farmácia e Posto de Saúde: não existe isso lá. Portanto, seja prevenido e leve sua bolsinha com os remédios principais para o número de dias em Cabo.

Cartão de crédito: a maioria dos restaurantes simples não aceitam, apenas os sofisticados. O ideal é levar dinheiro vivo para tudo.

Gostaria de dizer que depois disso fui para Colônia del Sacramento, mas mudei minha passagem e hospedagem para ficar mais um dia em Cabo Polônio e não vejo a hora de voltar pra lá… se você é simples, viajado e ama lugares inóspidos para entrar em contato com a natureza… vai ser um sonho! mas se você curte conforto, luxo, wifi e restaurantes caros, não aconselharia incluir Cabo Polônio no roteiro. Fica aqui o registro de um coração grato pela experiência e por todos os espíritos livres que conheceu nesse caminho…

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Uruguai: Montevideo e Punta del Este

Pulei o post de Alter do Chão mas por uma boa causa! 🙂

Peguei uma promoção na TAM para passar uma semaninha no Uruguai, e resumo: já planejo a volta!

O vôo direto Rio-Montevideo dura em torna de 3 horas.

Onde se hospedar? depende muito do estilo de viagem que você curte. Eu particularmente sempre fico no centro. Porque 1) é mais barato, 2) normalmente é onde está grande parte dos pontos turisticos, 3) é mais fácil para se locomover com transporte público. Porém, se você é do tipo que curte hotéis medianos/caros, o ideal é se hospedar em Pocitos ou Punta Carretas, onde estão localizados os bares e restaurantes mais badalados.

Hostel El Viajero Downtown: foi onde me hospedei e recomendo. Fica ha 8 quadras dos pontos turísticos, 2 quadras da avenida com as casas de câmbio e umas 13 quadras do Terminal Tres Cruces (onde você pega os ônibus para a maioria dos lugares).  Resumo positivo: camas confortáveis e limpas, banheiro compartilhado limpo todos os dias, locker estilo baú. Bar (as sextas, sábados e domingos). Tomadas em grande número, café da manhã farto e em bom horário. Staff fala português.

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de boa no hostel

O que fazer em Montevideo? Como todo bom mochileiro sem grana, fomos no free walking tour! Existe a opção em espanhol e em inglês. Se você fala inglês, escolha esse! A guia Maira é suuuuper divertida! Dura em torno de 4 horas com um break de 15 minutinhos. O Tour inicia as 11 AM na Plaza Independencia, passa por todos os pontos turísticos e termina no famoso Mercado del Puerto para almoço. Olha a galera animada aí:

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Free Walking Tour MVD

Mercado del Puerto: é o famoso mercado com vários restaurantes onde você pode sentar e assistir sua carne sendo preparada na grelha. Dá para sentar no balcão ou em uma mesa normal. Os garçons atraem as pessoas oferecendo a famosa bebida Medio y Medio – uma mistura de vinho branco e espumante. Come-se bem com 50 reais. Asado, parrillada, entrecot, chorizo, tem para todos os gostos! Sempre acompanhados de apenas uma guarnição: arroz, batata frita ou salada.

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Mercado del Pueblo

A noite fomos no The Shannon Pub para escutar uma musiquinha ao vivo e apreciar uma sangria com o famoso Don Pascual – de-li-ci-a!

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Ressaca a parte, pegamos o busão as 7 Am para Punta del Este. No site do terminal Tres Cruces dá para ver os horários. Se você vai fazer um bate e volta como eu fiz, o ideal é ir muito cedo porque o percurso dura cerca de 2 horas e meia. As empresas são COT e COPSA. A passagem de ida custa 269 UYU que em reais, com a cotação de 7.80,  dá R$35. O ideal é já comprar a volta no penultimo busão que passa as 8:30 PM em Punta Ballenas. Ida e volta custou 580 UYU.

Punta del Este: eu passaria este passeio. Primeiro porque em novembro é fora de época, e portanto, os restaurantes e bares ficam fechados e quase não há movimento nas ruas. Segundo porque as coisas são caras lá. Terceiro, porque não há muito o que ver. Chegamos as 9AM e as 1PM já estavamos prontos para partir. Punta é muito pequena, então alugamos uma bike na calle 9 por 2 horas e 180 UYU. Foi o suficiente para começar pela famosa La Mano, que fica literalmente em frente a rodoviária, e seguir pela Rambla do porto até o último ponto turistico – pegue o mapa rodoviária de Punta. Almoçamos em um dos restaurantes nada turisticos na calle 9, um belo chivito, prático tipico do uruguai, composto por um pedaço de filet mignon, com mussarela, tomate, azeitonas, presunto, ovos fritos e batata frita… quase um café da manhã bate entope de Londres.

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La Mano

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Chivito & Patricia: clássico uruguaio!

Punta Ballenas: para ir para a Casapueblo ver o famoso pôr do sol, você precisa comprar a passagem na rodoviária de Punta del Este. Custa 269 UYU e sai de hora em hora. O ônibus pára no meio do caminho e você precisa ir caminhando até lá. A caminhada é de cerca de 25 minutos mas muito gostosa! Mato e casas belissimas para todo lado.

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Punta Ballenas

A Casapueblo é a antiga casa de verão do artista plástico e arquiteto uruguaio Carlos Páez Vilaró, atualmente uma cidadela-escultura que inclui um museu, uma galeria de arte e um hotel chamado Hotel Casapueblo. A paz que esse lugar transmite é indescritível! O auge dessa experiência é assistir o pôr do sol no bar do terraço escutando um texto recitado pelo próprio Carlos Vilaró – é definitivamente um momento de reflexão e agradecimento. O ingresso para entrar custa 150 UYU e a casa abre de 10 AM as 6 PM (o horário varia de acordo com a mudança de estação).

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Pôr do sol na Casapueblo

Após o pôr do sol, tem que rolar aquela caminhada básica de volta para o mesmo ponto onde chegou inicialmente. Na ida você pega o ônibus indo para Montevideo e desce no meio do caminho que é Punta Ballenas. Por isso na volta pega no mesmo ponto em Punta Ballenas para seguir até Montevideo – Terminal Tres Cruces. Como éramos 4, de lá pegamos um taxi para o hostel, que custou – na bandeira 2 – em torno de 140 UYU (17 reais). Chegamos no hostel por volta de 10:30 PM. Para chegar os horários para sua viagem, clique aqui.

Se é a sua primeira vez no Uruguai, lembre-se:

1 – Desconto rem restaurantes: Alugando um carro sem motorista ou pagando conta de restaurante com cartão de crédito, débito ou pré-pago internacional, o turista recebe de volta 18,5% do valor pago, relativo a parte do IVA (o IVA total é de 20%; 1,5% fica para o governo como taxa de processamento). O desconto vem automaticamente, já detalhado no recibo do cartão.

2 – Cubierto e proprina: cubierto é o serviço de mesa e não é facultativo. Geralmente entre 40 e 80 pesos. É bom perguntar se tem antes de sentar. Propina é a gorjeta que você dá se quiser.

3 – Menú ejecutivo ou menú del día: normalmente os restaurantes oferecem o menu do dia, que consite em duas opções de prato principal, bebida e sobremesa e sai em torno de 300 UYU. Sai mais em conta comer nesse esquema.

4 – Ônibus CA1: é uma linha de ônibus que circula no Centro e custa mais barato que os outros ônibus: 15 pesos ao invés de 22. É uma ótima opção pra quem quer ir de um ponto a outro da Avenida 18 de Julio.

5 – Câmbio: as casas de câmbio com as taxas mais baratas ficam na Avenida 18 de Julio. Se você não está sozinho, tente negociar uma taxa melhor. Eles sempre aceitam porque já contam com essa margem de barganha.

6 – Taxi: funciona com taxímetro como de costume, mas contando fichas e não o valor final em UYU da corrida. Por exemplo, se no destino final o taxímetro marca 15, ele aperta um botãozinho no taximetro que converte esse numero no valor final da corrida. Para você não se sentir enganado ou lesado, eles têm a ficha diurna e noturna para consulta caso você queira conferir se o valor do taxímetro convertido bate com o valor correto. Outro detalhe é que existe um vidro entre o taxista e os passageiros – ainda não entendi a utilidade mas é assim que é. hehe

7 – O uso de reais e dólares: a maioria dos lugares aceitam pagamentos em reais e dólares. Se você chegou muito tarde e esqueceu de trocar um pouquinho no aeroporto, não se desespere! O máximo que vai acontecer é utilizarem um câmbio não tão bom.

8 – Não falo espanhol e agora? bem, pelo que vi a maioria dos uruguaios entende português e alguns até falam português (ou tentam). A semalhança das linguas é muito favorável para quem quer viajar pra lá mas não fala espanhol.

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Amazônia parte I: Manaus e Barco para Santarém

Voltar a escrever no blog depois desse tempo off é muito bom, mas não sei se consigo descrever em palavras essa viagem.

Sempre quis ir pra Amazônia e em uma conversa informal com uma amiga, ela disse que queria ir para Alter do Chão, no Pará. Nunca tinha ouvido falar desse lugar, mas pesquisei um pouco e não demorou muito para encaixarmos o roteiro.

10 dias foi o período estipulado mas hoje eu vejo que teria ficado mais – muito mais!

Começamos por Manaus. Pegamos o vôo Rio-Manaus por R$ 300 e pouco na TAM. Dá para pegar um busão no aerporto pro centro, mas tinhamos apenas 1 dia e meio em Manaus, então para fazer valer, fechamos o transfer com o Olimpio Carneiro, que fez um desconto já que íamos fazer o passeio do dia seguinte com ele também. Um taxi normal sai por R$ 70 e ele fez por R$ 50. Quem é o Olímpio? Um senhor local, que ama o que faz e grita para todo mundo ouvir. Se você tem preguiça de procurar, ele é de confiança, super figura e recomendado entre os mochileiros. Mas se procurar encontra o mesmo serviço que ele por 50 reais a menos no mínimo. Aí o contato dele:

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No primeiro dia fizemos tudo andando. O Teatro Amazonas é lindo por dentro e por fora e ainda conseguimos pegar um evento de graça nele a noite. Almoçamos no Mercado Municipal por apenas R$ 14 – um PF. A farinha de lá é bem mais grossa, e o tucupi, que é o sumo da mandioca com pimenta malagueta, completa o prato. É a hora pra comprar vários doces locais como biscoito de cupuaçu, salaminho de cupuaçu, castanha – tudo por um preço camarada! Fomos no porto também. Dá tranquilamente para fazer tudo andando, mas prepare-se! O calor de Manaus é insuportável. Não passa brisa, e a sensação térmica é de 40 graus (sendo generosa). O Local Hostel é super bem localizado, mas a política dos hostels da Amazônia é ligar o ar condicionado uma certa hora da noite e desligar em torno de 12/14 horas depois – no quarto coletivo. Então só tinhamos AC de 19 as 9 AM. Ou seja, abusamos da cervejinha gelada, açaí, sorvete, água e afins durante o dia.

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No dia seguinte fizemos o passeio clássico: encontro das águas, comunidade ribeirinha, nadar com botos, ver vitória régia e almoço em restaurante flutuante. Saiu por R$ 175 com almoço incluído. O Olimpio queria cobrar R$ 200 mas éramos 5 pessoas então choramos desconto. Sendo muito sincera, a parte mais interessante foi nadar com os botos, que são criaturas dóceis e não estão acorrentados como fantoches para os turistas e o encontro das águas que é impressionante. A realidade das comunidades ribeirinhas que vivem em condições insalubres é muito triste. Chegamos, e vimos uma cena deprimente. Eles amarram a boca dos jacarés, aprisionam cobras, macacos e outros bichos por tempo indeterminado para que os turistas possam tirar fotos e dar um trocado. O macaco por exemplo, estava nitidamente sofrendo. E os turistas alimentam isso, sem dor na consciência. Não conseguimos participar daquele circo por muito tempo. A comunidade indígena que paramos foi interessante para aprender um pouco mais do ritual em si, mas estava claro também que era um teatro para turistas também. Depois fomos almoçar – o buffet era farto e com muita comida local, realmente delicioso! A bebida não está incluída. O passeio começa cedo, as 8 AM e vai até as 17hrs.

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A noite a praça principal fica bem animada. O melhor restaurante foi o Tambaqui de Banda. Absolutamente in-crí-vel! Comemos uma posta gigante de um peixe de rio chamado Tambaqui, com uma entradinha de Pirarucu (outro peixe de água doce), várias caipirinhas de frutas locais e no fim deu apenas R$ 50 para cada – éramos 5 pessoas. Tudo maravilhoso!

O próximo destino era Santarém no Pará. Existem duas formas de chegar lá: de barco navegando por 40 horas no Rio Amazonas, ou pegando um vôo Manaus-Santarém que dura em torno de 1:30h e custa – comprando com antecedência – R$200 e pouco. Optamos pelo barco porque tínhamos tempo e mais que isso, precisávamos passar por essa experiência de “desintoxicação”  da vida urbana. Foi de longe a melhor decisão que tomamos. Existem duas formas de viajar no barco: no redário que custa R$ 200 e pouco, e no que eles chamam de “camarote”. Compramos um dia antes na biheteria do porto.

Considerações inciais: eles vão olhar pra você e falar um preço absurdo, não aceite! Não deixe transparecer insegurança ou dúvida. Incialmente queriam nos cobrar 200 reais a mais do que pagamos. No fim pagamos R$ 600 para duas pessoas, que foi o preço que encontramos nas pesquisas. O camarote é um quarto pequeno e simples, com frigobar, banheiro privativo e ar condicionado liberado. Valeu o investimento! Existe também o redário refrigerado, que nada mais é que um andar cheio de redes, pessoas, malas, mas com ar condicionado, que sinceramente não dá vasão e o cheiro não é dos melhores. Penso que o redário comum ou camarote são as melhores opções. Os banheiros comunitários para quem está no redário são super limpinhos. O bar do barco abre as 5 AM para café da manhã e fecha bem tarde. Além das refeições, vendem biscoitos, acessórios de higiene pessoal e bebidas. Importante: só aceitam dinheiro.

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Considerações sobre a viagem no barco: 99% das pessoas no barco são locais fazendo a travessia. Fizemos parte da estatística do assédio sexual. No barco somos gringas. Os homens não respeitam: encaram, querem ficar perto, fazem comentários, no início é um pouco assustador. Me aborreci com um homem que começou a tirar fotos minhas, sem a minha autorização. Pedi para parar e ele não parou, então fui obrigada a me retirar do rescinto por me sentir coagida. Depois de algumas horas você entende que não há o que fazer, passa a ignorar e vida que segue. As marmitas são vendidas durante 1 hora e depois servidas na proxima hora e custam R$ 13 e a latinha de cerveja custa R$ 5. Você vai comer muito arroz com macarrão, acompanhados de peixe ou frango, feijão e salada. Simples mas gostosa 🙂

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A boa é levar barrinhas de cereal, biscoito, frutas, e água mineral. O techno brega toca nas alturas de 5:30 da manhã até sabe-se lá quem foi o último a dormir para dizer quando termina. É um tempo ocioso convidativo para reflexões profundas, leituras, rever conceitos, e desconectar de tudo que impede que você viva aquilo ali de corpo e alma. Você vai estar em um barco no meio do Rio Amazonas, com um céu incrível, uma lua que parece mentira, áreas de vegetação não habitada por horas a fio nos dois lados. Um sonho!

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Sugiro acordar 5 da manhã para ver o nascer do sol e não perder o pôr do sol por nada nessa vida… muito inspirador!

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Para comer:

Peixeis de rio: tambaqui, pirarucu, tucunaré.

Tacacá – jambu com camarão

Açaí – lá o açaí é puro ou batido com banana. Nada de guaraná!

Abacaxi – o de lá é diferente – bem mais doce

Tucupi: sumo da mandioca com pimenta malagueta

Para beber:

Cachaça de jambu – deixa a lingua dormente por alguns minutos – muito boa!

Caipirinhas e sucos de frutas locais: taperebá, murici, cupuaçu, caju

E os mosquitos? não existem. Ou pelo menos não na quantidade que dizem os mitos. O nível de acidez da água impede que os mosquitos se proliferem.

Qual vacina tomar? não é obrigatório, mas é fortemente sugerido que se tome a febre amarela e a anti tetânica.

O que levar? boné, squeeze, remédios, protetor solar fator elevado e repelente Exposis Extreme – esse custa R$ 50 mas repelete mosquito da malária e febre amarela e muitos outros tipos. Clique aqui para saber mais sobre ele.

No próximo post entrarei na segunda parte da viagem: Alter do Chão e Flona Tapajós! 🙂


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Um lugar incrível: Deserto do Atacama!

Em agosto de 2014 eu e 3 amigas fizemos um mochilão pelo Chile e Peru. Vimos algumas fotos na internet, mas hoje digo com propriedade que não sabia o que nos esperava – no bom (ótimo) sentido.

Para chegar ao Deserto, pegamos um vôo Rio-Santiago e depois de alguns dias em Santiago, outro vôo Santiago-Calama (Aeroporto El Loa) . A cidade de calama é a base para quem quer ir para o deserto. Não há nada de interessante lá, e reza a lenda que é perigoso, então assim que chegamos, optamos por pegar uma van para o deserto.

Existem duas opções em Calama:

1 – Pegar o busão na rodoviária. A viagem dura 1 hora e meia e a passagem custa em torno de 2.500 pesos chilenos (o mais barato). Você encontra as tarifas e horários no site da Turbus

2 –  Pegar o transfer da Licancabur. O guichê fica no desembarque do aeroporto e custa 12.000 pesos chilenos. O transfer é feito em uma van e te deixa na porta do hostel. Optamos por essa porque estávamos suuuper cansadas da balada em Santiago na noite anterior. Super recomendo!

Onde se hospedar? ficamos no Hostal Lackuntur. Pontos fortes: super limpo, camas e colchas confortaveis, piscina, calmo, pode usar a cozinha, tem bicicleta para alugar e tem água quente. Pontos fracos: não tem café da manhã e a dona é ranzinza. No fim das contas o custo benefício compensa.

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Em São Pedro de Atacama, tudo é perto e portanto, feito no expresso canelão. A rua principal é facilmente identificada e nela que ficam as principais agências para passeios. Pesquisamos muito antes de ir para não cair em furada e, definitivamente, as melhores são A Grado 10 e a Ayllu – nessa ordem. Ouvimos muitos relatos de pessoas que fecharam com agências que tinham carros super velhos, guias irresponsáveis ou não ofereciam comida. A grado 10 é um pouquinho mais cara, mas o serviço também é diferenciado. Nela, os passeios são feitos em um caminhão e em horários estratégicos, o café da manhã é mais farto e o guia é mais preparado para as perguntas dos turistas. Na Ayllu, os passeios são feitos em uma van, o café da manhã também é bom, os guias são responsáveis, e indo em grupo, rola chorar um desconto. Eu recomendaria fechar os passeios com a Grado10 já aqui no Brasil, porque por ser tão boa, é muito concorrido! Só conseguimos fechar um passeio com eles e foi top!

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Quantos dias ficar? Ficamos 6 dias e eu pessoalmente acho que é o mínimo de dias para explorar tudo que São Pedro tem para oferecer.

Por onde começar? a altitude e o clima árido do deserto são mesmo fatores traiçoeiros, então é importante permitir que seu corpo se acostume gradativamente com isso. Deixe os passeios nos lugares mais altos por último. Reserve o primeiro dia para descansar bem, beber bastante água, dar uma volta pelo centro de São Pedro para conhecer os restaurantes, a feira hippie, e, a noite, o céu mais estrelado que você vai ver na sua vida. Ao mesmo tempo, seu corpo vai se acostumando com as mudanças drásticas de temperatura.

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Qual a ordem e valor dos passeios? Listei abaixo a ordem que nós fizemos e que eu recomendo. Em alguns deles você tem que pagar tipo um ticket de entrada para os lugares lá na hora.

Dia 1: Valle de la Luna e Valle de la Muerte – 22.000 pesos chilenos mais 2.000 pesos chilenos de entrada

OBS: Ir com roupas leves e que possam ficar sujas (preto não é uma boa idéia – façam o que eu digo mas não façam o que eu faço). O clima é beeeem quente, e o ideal é não levar mochila nem itens pesados, porque o início desse dia é passar por dentro de uma caverna e é bem apertado e escuro.

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Vamos babar só mais um pouquinho com o pôr do sol esse dia, onde nós paramos para tomar um suco no fim do dia:

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Dia 2 – Lagunas Altiplânicas e Salar do atacama & Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche 

Passeio manhã: Altiplânicas e Salar do Atacama

Valor:  40.000 pesos chilenos + 5.000 pesos chilenos de entrada

Dica: MUUUUIITOOOO FRIIIIIOOOOOOOOOOOO!! Use e abuse de calças e blusas térmicas, luvas, tocas que cubram orelhas, 3 pares de meia, abraços apertados, etc. A agência te pega no hostel por volta de 4:30 então nada de balada na noite anterior!

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Passeio tarde: Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche

Valor: 22.000 pesos chilenos + 2.000 pesos chilenos

Dica: Levar bikini + idéias de fotos de perspectiva. O nível de sal na laguna é absurdo, então o ideal é se lavar com água doce assim que sair dela, porque além de ressecar e machucar a pele, queima! Nosso guia levou uma bomba de água doce, mas além disso existe um vestiário em céu aberto com vários chuveiros de água doce para as pessoas tomarem banho também. Fiquem espertos com o protetor solar – nesse dia o sol castiga!

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Segura mais um pôr do sol de tirar o folêgo, porque é assim que basicamente todos os dias terminam no Atacama, variando só a paisagem 🙂

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Dia 3 – Geysers del Tatio

Passeio manhã: Geysers del Tatio

Valor: 32.000 pesos chilenos + 5.000 pesos chilenos de entrada

Dica: Aqui a altitude começa a dar sinais fortes. Ande devagar, coma sem pressa, beba muita água e use e abuse das roupas de frio também. Leve bikini, porque lá tem águais termais – se você for corajoso. 🙂

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Em todos os passeios pela manhã as agências oferecem um café da manhã composto, basicamente, por café, leite, panquecas com doce de leite ou ovos, bicoitos, suco e chá de coca. É muito gostoso, ainda mais com um cenário desse em volta!

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A zuação foi garantida com nosso guia Juaniiiiiiito, que mais parecia o Luigi do Mario. Queríamos tirar uma foto com ele, daí ele perguntou de onde nós eramos, dissemos que éramos do Rio de Janeiro e aí para enturmar, ele fez essa pose:

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Legal né? Não, nada legal.. hahahah

Dia 4: Salar de Tara

Valor:  35.000 pesos chilenos

Dica: esse é o passeio de maior altitude e frio. PREPARE-SE! No dia anterior a este passeio não é recomendável comer comidas pesadas ou beber demais. Vá com roupas para frio extremo.

Indo para o Salar de Tara, nosso guia Pabliiiiiito, parou em vários lugares de tirar o fôlego. Foi aí que conseguimos ver uma família de llamas atravessando a rua tranquilamente. Aquelas coisas que a gente vê todos os dias, rotineiras, sabe? Aí seguimos viagem. MENTIRA! A versão real é que ficamos impressionadas com a cena e pedimos por favor pelor amor de Deus pela saúde dos nossos pais e todos que já morreramm e olham por nós, para que o Pablito parasse. Diante desse pedido singelo, ele não teve outra opção.

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Depois seguimos viagem e paramos para tomar café… e aí.. PAM! Encontramos a Roberta e o João que compartilharam de um belo e gostoso (ruim bagarai) chá de coca com a gente no dia anterior. Então vamos tirar uma foto com a Robeeeeeeeeeeerta! (sim, fizemos escândalo gritando o nome da nossa mais nova amiga).

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Enfim, chegamos ao salar de Tara e começamos a fazer aquele pergaminho imenso de fotos de perspectiva que passamos meses pesquisando no google e que ninguém conta que a proporção é: 1 foto certa para 107 fotos erradas.

Fotos super criativas e…………… não, pera.

tara

Ah eh! Foram essas aqui oh:

empurrando   segurando

Esses são os passeios principais, que sempre acabavam com a galera reunida na agência tomando um pisco sour, que algumas vezes, era cortesia da casa! Quer coisa melhor? Olha a galera aí embaixo 🙂

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Agora algumas dicas básicas e aleatórias de sobrevivência no Atacama:

1 – A comida para mochileiros no deserto é terrível! Preço OK mas muito ruim ou preço exorbitante e comida OK. Então encontramos um bar que bomba pra almoço, jantar e aquela cervejinha a noite. O nome do bar é BARROS. É tipo uma oca, com mesas rústicas de madeira e muita animação! A comida é deliciosa e barata também. O garçom Ricardo rebola muchoooooo para animar a turistada! ahahah Dá para sobreviver com o miojão que compra nos mercadinhos lá ou com as empanadas tamanho GG também. Reparem nas nossas carinhas de felizes depois de comer comida de verdadeeee 😛

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2 – Se você vai em grupo, principalmente de meninas elegantes e sinceras (hã hã), vão te abordar na rua pra irem em festas a noite no deserto. Claro que nós queríamos ir, mas infelizmente não conseguimos porque na noite anterior a polícia descobriu a festa – que era proibida por lei – e acabou com a alegria da galera! Mas, conhecemos pessoas que foram e curtiram!

3 – Já listei aqui no blog algumas dicas de coisas essenciais para levar pro deserto. Dêem uma olhadinha que vale a pena!

4 – Olhe para cima ao andar na rua a noite, POR FAVORRRR! É de fato o céu mais lindo e estrelado que já vi até hoje.

5 – Ao contrário do que falam, não é um destino barato então poupe seu dinheiro nos primeiros dias. Aqui tem uma explicação legal de como entender a conversão real vs peso chileno.

6 – As agências aceitam cartão de crédito, e se você vai em grupo, chore um desconto – afinal, quem não chora não mama!

7 – Se você vai para qualquer outro destino antes, troque o máximo de dinheiro possível nesse destino porque a cotação no deserto é um roubo.

8 – Uma ótima idéia é pegar uma tarde e alugar uma bike pra dar uma volta nas redondezas. Existe um lugar chamado Pukara de Quitor, que fica a 3 km ao norte de San Pedro de Atacama. Pukara significa forte, fortaleza, construída para proteger os habitantes da região – vale a pedalada!

bike

9 – Os preços de roupa de frio lá também são exorbitantes, então procure comprar no destino anterior ou de origem.

10 – HAVE FUN!!! 🙂

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Deserto do Atacama: o que levar? como se vestir?

O Atacama é o deserto mais árido e mais alto do mundo (variando dos 2400 até mais 4000 m), então já em Calama dá para sentir a falta de umidade do ar. Sendo assim, a primeira coisa a se fazer é comprar uma garrafa grande de água e levá-la cheia onde quer que vá. As temperaturas no deserto variam entre 0 ºC à noite a 40 ºC durante o dia.

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Pesquisei muito antes de ir porque sou alérgica (rinite, sinusite, e todas as ites). Mas com cuidado e responsabilidade, dá para encarar tranquilamente.

Alguns itens são ESSENCIAIS no deserto e abaixo eu explico o porque.

O QUE LEVAR?

  • Protetor Solar (fator 50 ou +): as temperaturas variam DEMAIS. As 4:30 da manhã quando a agência do tour te busca no hostel, está um frio de doer os ossos, mas as 11 da manhã já começa um calor angolano, então proteja sua pele porque os níveis de radiação são altíssimos.

protetor

  • Hidratante COM URÉIA: um hidratante comum é mais cosmético que de fato hidratante. A uréia consegue reter o líquido da pele, evitando rachaduras e quando já rachada, ela atua restaurando a parte irritada. Eu sugiro o nutraplus.

nutraplus

  • Óculos escuro: há lugares, como o Salar do Atacama, que devido a superfície branca de sal, é praticamente impossível ficar lá sem estar com os olhos protegidos. Portanto, leve um óculos com proteção aos raios ultravioleta.
  • Colírio: existem colírios que são apenas para lubrificar os olhos – sem remédio algum. Eu levei o moura brasil, é fácil de achar e super baratinho (em torno de R$2).

colirio

  • Soro fisiológico: esse é indispensável. Usei dia e noite, sem parar e ainda tive que comprar mais lá. Ele lubrifica nariz e olhos e umidece a pele. Não economizem – levem a garrafa grande.
  • Vaselina nasal: esse não é um item essencial, mas sim uma dica. Se nem mesmo o soro fisiológico conseguir conter o sangramento do seu nariz devido ao ressecamento – o que foi o meu caso – compre a vaselina nasal. Lá no deserto mesmo, fui na farmácia e comprei.
  • Protetor labial: qualquer um serve, mas sinceramente, se eu puder indicar, indico o chapstick com remédio. Ele restaura o lábio rachado e muitas vezes sangrando, em menos de 1 dia de uso. É incrível! Mas na falta, o bepanthol também é um ótimo substituto.

chapstickbepanthol 

  • Toalha ultra absorvente: a tolha ultra absorvente serve para QUALQUER tipo de viagem de mochilão. Mas no passeio da Laguna Cejar e Geysers onde rola tomar banho, é uma ótima opção, porque seca muito rápido e é super compacta.
  • Seu kit com medicamentos: lembrando que o hospital mais próximo fica em Calama, a pelo menos 1 hora e meia de viagem, então leve consigo o seu kit habitual de remédios. Até mesmo os que você quase não usa mas pode vir a precisar. Lá tem famárcia e posto de saúde, mas muito mal equipados.

COMO SE VESTIR?

Para a cabeça:

  • Toca grossa que cubra as orelhas (eu levei duas e em alguns momentos coloquei uma grossa por cima de uma fina)

Para o corpo:

  • Bikini
  • Um short jeans
  • Calça términa (duas) – o ideal é que uma delas aparente uma legging para usar sozinha caso seja necessário durante o dia em frio ameno
  • Calça larga para colocar por cima das calças térmicas
  • Meia calça grossa fio 150
  • Blusas leves com manga curta
  • Fleece
  • Casaco leve (aqueles de moletom ou malha)
  • Casaco corta vento
  • Sobretudo pesado

A idéia é colocar a meia calça grossa, duas calças térmicas mais uma calça larga por cima (para os lugares muito frios). O short é para almoçar pela cidade ou ficar de boa no hostel. Os casacos são nessa ordem, blusa leve com manga curta, fleece, casaco leve, casaco corta vento e o sobretudo pesado. Ao longo do dia você vai tirando conforme for ficando calor.

Para os pés:

  • Chinelo
  • Um tênis velho que já esteja adaptado aos seus pés
  • Bota quente
  • Meias de montanhismo ou as meias mais grossas que você tiver

Para ilustrar mais, vou enumerar os passeios de acordo com a temperartura e altitude. Sim, porque se você começar pelo passeio mais alto, sem antes se ambientar com a altitude, vai passar mal na certa. O ideal é começar pelos lugares mais baixos e ir aumentando gradativamente.

Valle de la Luna – calor com casaco leve depois

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Salar do Atacama e Lagunas Altiplânicas – MUITO FRIO (muito mesmo) e depois menos frio (mas nunca calor)

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Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche – Calorzão com frio de leve depois

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Geysers del Tatio –  MUITO FRIO mesmo! Acho que foi um dos piores, algo como -5 mas com vento então sensação térmica de uns – 10. Não tivemos nem a coragem de entrar na piscina termal. Essa é a hora de usar TODAS AS ROUPAS DA SUA MALA 😛

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Salar de Tara – O PIOR FRIO DE TODOS (no início pela manhã). Nesse dia pegamos -10, com muito vento, ou seja, sensação térmica duplicada novamente para no mínimo – 20.

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Chile: Vinícola Concha y Toro

Em agosto de 2014 fiz um mochilão de 20 dias pelo Chile e Peru com 3 amigas e, em Santiago, começamos com o tour da vinícola Concha y Toro: a maior e mais famosa vinícola do Chile. Fica localizada na zona rural de Pirque, ha 1 hora de Santiago.

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Reservamos pela decolar e o tour já incluía guia em português e translado ida e volta. Fizemos o tour tradicional que inclui visita guiada às adegas e Casillero del Diablo, loja e bar de vinhos, vinhedo Porque Viejo e Jardim com variedades de uvas, duas degustações de vinhos premium e taça de vinho gravada de presente. Este tour custa 10.000 pesos chilenos ou 18 dólares e dura em torno de 1 hora. E também existe o tour Marques de Casa de Concha que é mais completo e custa 20.000 pesos chilenos ou 38 dólares e dura 1 hora e meia. Os tours são iguais, só que no mais completo há uma degustação extra do vinho premium Marques de Casa Concha, harmonizado com queijos finos.

Parte 1: Parques, Jardins e Casonas

O dia estava lindo e o vinhedo é realmente muito bonito. Fizemos um curto passeio pelos jardins, o parque e o exterior da residência de verão da família Concha y Toro do fim do século XIX.

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Parte 2: Jardim de variedades de uvas e vinhedo

A guia explica de onde vem o vinho da Concha y Toro no jardim com 26 cepas de uvas viníferas. Popularmente falando, essas uvas são da espécie mais amplamente utilizada na indústria mundial do vinho. As uvas da espécie Vitis Vinifera, consideradas uvas viníferas, são muito diferentes das uvas de mesa, por exemplo, pois são menores e têm casca mais grossa e mais densa. No tour é permitido experimentar todas as uvas.

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Parte 3: degustação de vinho

O primeiro vinho foi o Trio Reserva Merlot 2012 (60% merlot, 35% carmenere de Peumo e 5% Syrah) e o segundo foi o Vinho Serie Riberas Gran Reserva Carmenere 2012 (90% carmenere e 10% cabernet sauvignon). Dois vinhos tintos muito bons.

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Parte 4: Bodegas de guarda e Casillero del Diablo

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Concha y Toro, que foi fundada em 1883 por Don Melchor de Concha y Toro, é a maior vinícola do Chile, exportando seu vinho para mais de 100 países. Seu carro-chefe é o Casillero del Diablo, que tem esse nome por causa de uma lenda iniciada em 1891. Reza a lenda que Don Melchor mandou construir uma cave subterrânea para guardar os melhores exemplares de cada safra para sua própria degustação. Porém, não demorou muito para os empregados da propriedade perceberem que ali estavam os melhores dos melhores vinhos e, como ninguém é de ferro, garrafas começaram a desaparecer. Furioso com os sucessivos sumiços, Don Melchor espalhou um boato de que o próprio diabo vivia dentro daquele casillero, assombrando o lugar. O boato tomou uma grande proporção e, em pouco tempo, ninguém mais se atrevia a tirar um só vinho daquela cave, que ficou conhecida como Casillero del Diablo.

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Parte 5: Degustação de vinho e taça de presente

Nessa última degustação o vinho é o Gravas del Maipo Syrah 2008. Um vinho tinto, 95% Syrah e 5 %Cabernet Sauvignon da região de Quinta del Maipo. Considerado o segundo melhor Syrah chileno – realmente delicioso! E a taça você pode levar para casa – presentinho do tour! 🙂

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Informações gerais:


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Cooking Experience em Roma

Quando resolvi passar 15 dias na Itália, comecei a pesquisar o que eu poderia fazer de diferente, já que teria pelo menos 10 dias em Roma e já tinha feito todos os pontos turísticos em uma viagem dois meses antes.

Foi aí que pensei: quero fazer uma aulinha de culinária! Como não tinha pensado nisso antes? Comecei pesquisando no google + facebook e foi aí que encontrei o Rome Local Friend e achei a proposta super interessante! Por que?

Primeiro porque cabia no bolso. Segundo porque era simples e uma experiência genuinamente local. Terceiro porque não tinha cardápio definido. Troquei uma idéia com o Tiziano – um italiano super gente boa que iria reger a sessao de culinária – e deixei alinhavado para eu e uma amiga.

Ele nos buscou na estação battistini – linha A – as 6 PM, de carro, e nos levou para sua casa. Parece perigoso, mas pesquisei bem a página dele, os feedbacks, as fotos… é claro que ainda assim poderia ser arriscado e nos primeiros minutos ainda estávamos bem alertas e preocupadas, mas ele conseguiu nos inspirar confiança e depois que relaxamos foi tudo maravilhoso!

A casa dele é uma graça e ele mais ainda. Pegamos o pôr do sol:

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A proposta era prepararmos uma refeição típica italiana composta por 4 pratos em 3 horas, incluindo vinhos, água, café e licores – tudo por 35 euros por pessoa. Justíssimo! Ele pergunta se há alguma restrição alimentar e começa a preparar – com antecedência – algumas coisas, tipo a sobremesa.

Começamos com a entrada – dois tipos de bruschetta – uma simples e uma com sabor e também uma seleção de 5 tipos de queijo e azeitona. Depois fizemos juntos o primeiro prato que era uma massa chamada cavateli. Ele que escolheu os vinhos também. O Bardolino foi o primeiro. O Bardolino tem aromas de cereja, morango, framboesa, groselha e especiarias, como canela, cravo e pimenta preta. É um vinho seco, encorpado e macio. Delicioso!!!

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Depois, partimos para o segundo prato: uma beringela recheada – que ele fez sozinho e nos serviu. Rolou até um segundo round, de tão bom que estava! hihi Daí ele abriu outro vinho, o Nero d’Avola, um vinho típico da região da Sicília, muito saboroso e bem forte.

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E por fim, de sobremesa, o Tiramisù, que muita gente não sabe mas é uma sobremesa tipicamente italiana, originária de Treviso, região do Vêneto. Eu não sou fã de Tiramisù, mas este estava realmente bom.

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O legal é que no fim, ele serve umas bebidas típicas da Itália também. O Limoncello – que é um licor e nos restaurantes é servido com o propósito de ajudar na digestão. E também o Amaro que é outro licor clássico digestivo, mas que nos bares a noite também é servido como shot ou utilizado em drinks. Eu que o diga… nós, brasileiras desavisadas, conseguimos bancar um quase PT com ele! Gente, anotem: toda bebida alcoolica que é doce apresenta sérios riscos de PT! hahaha A água que ele serve é ligeiramente gasificada e ele mesmo retira direto de uma fonte no sul de Roma todo mês para servir seus convidados. O azeite, ele retira direto da fábrica – fresco, menos processado e artificial. Os vegetais utilizados são sazonais e alguns são cultivados no próprio terraço dele ou comprados de um agricultor local.

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O Tiziano é uma pessoa incrível, muito divertido, viajado e super pra frente! Ele já morou em Londres e fala inglês fluente. Em algumas ocasiões, sua mamma italiana também participa das brincadeiras na cozinha. Foi uma noite muito agradável e eu recomendo a todos que querem ter uma experiência bem local e fora da correria dos pontos turísticos obrigatórios. Nós aprovamos!! 🙂

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Para entrar em contato com o Tiziano e combinar uma aula super divertida dessas, é só seguir a página no facebook: Rome Local Friend ou no website oficial Rome Local Friend


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Itália fora da rota: Viterbo, Civita di Bagnoregio, Lago di Bracciano e Pomezia

Comer, comer mais um pouco e comer ainda mais: essa é a realidade da Itália! E nas horas vagas, tentar se desvencilhar dos galanteadores e imigrantes vendedores de muamba.

Sempre tive muuuuita vontade de conhecer a Itália, mas ela nunca se encaixava nos roteiros malucos que eu montava. Até que um belo dia, no Peru… conheci um italiano, que entre uma conversa e outra, conseguiu despertar meu interesse que estava adormecido por esse país. Mantivemos contato diário e então dois meses depois, em um feriado de thanksgiving, emendei a semana, e lá fui eu atravessar o oceano para passar apenas 6 dias em Roma. Na verdade, aí começa a parte não turística. Fiquei hospedada na casa dele em Pomezia, que é uma cidade industrial e fica ha meia hora de Roma – de carro. Mas antes de ir para Pomezia, ficamos em Viterbo.

Ahhhhh Viterbo!!! A também conhecida como Cidade dos Papas, foi sede do papado por 24 anos e onde ocorreu o primeiro Conclave Papal. Está a menos de 90km de Roma – de trem são aproximadamente 2 hrs e 15 minutos de viagem. Da estação de Roma Ostiense parte praticamente um trem a cada hora em direção a Viterbo Porta Romana. Eu fiquei literalmente impressionada com as ruelas. As escadas cheias de flores, a rusticidade das ruas e casas, as pessoas super simpáticas, a paz que lembra um lugar do interior. A cidade é toda cercada por muralhas, o que atenua a arquitetura medieval. Você pode até dizer que isso tudo que eu falei existe em vários lugares, mas Viterbo… tem uma energia especial. Talvez eu tenha vivido lá em vidas passadas! 🙂 Dá para fazer tudo a pé, curtindo o estilo la vita e bela!

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Pedimos uma pizza e… tchanan!!!! era literalmente uma pizza inteira só pra mim… estava uma delícia mas eu não tinha feito jejum aquele dia, então não aguentei… e foi aí que começou a inquisição: “por que não comeu tudo? não gostou? estava ruim?”… um bombardeio, mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos! Os italianos realmente se ofendem se você não come tudo.

Uma refeição dessa aí: duas pizzas tamanho Shrek, mais duas cervejas de trigo de 600ml, mais uma entradinha, custou uns 40 euros. Tá bom, vai? Mas tem várias opções de menu-preguiçoso ou, no meu caso, menu-cabe-no-bolso com entrada + refeição principal + segunda refeição + sobremesa por 15/20 euros – só andar, procurar e escolher.

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Tá! Não vi muitos hotéis, diria que vale um bate volta de Roma, ou se você se apaixonar como eu, pode passar uma noite. Eu procuraria no airbnb porque no booking.com os preços para Viterbo são surreais.

No dia seguinte fomos para Civita di Bagnoregio (foi uma das locações da novela Esperança). Bagnoregio situa-se a 27 km da província de Viterbo e a 108 km de Roma. Esta pequena cidade é feita totalmente de material arenítico que se desintegra de acordo com a ação do vento, portanto, ela corre o risco de desaparecer. Fica no topo de uma montanha e é ligada ao mundo por uma ponte super longa que só passam pessoas. Infelizmente o clima no dia estava muito frio e nebuloso… parecia aquelas cidades imperiais. O contraste é absurdo comparado com as imagens feitas no verão que eu vi antes de ir (realmente muito lindas!). Importante: para entrar têm que pagar 3 euros – um valor risório comparado a beleza do local. No outono/inverno fica extremamente úmido – eu tive que usar blusa térmica. Dá pra levar um lanchinho de pão com o incrível prosciutto e comer no caminho para não gastar com almoço lá, já que é um lugar remoto e, portanto, eles colocam o preço que querem. Também não aconselho salto alto, porque é uma caminhada boa até o castelo e o chão tem obstáculos.

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Fomos um dia de Roma para o Lago di Bracciano e fiquei encantadíssima com esse lugar!! Imagino que no verão deva se enquadrar mais ainda em uma moldura – porque foi assim que imaginei aquele lugar – como um quadro. O Lago de Bracciano se localiza a, aproximadamente, 50 km a norte de Roma. É de origem vulcânica e sua superficie é de 57,5 km², o oitavo maior lago da Itália. Nas margens do lago existem 3 cidades: Bracciano, Trevignano Romano e Anguillara Sabazia. Como chegar: apesar de existir um trem, o FL3, que vai de Roma para Bracciano e Anguillara, o ideal seria alugar um carro ou ainda uma guia turística.

Esses cisnes parecem de mentira, mas são perfeitamente verdadeiros! Muito lindos!

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Demos uma subidinha para a espiada panorâmica e depois paramos em um restaurante super tradicional – leia-se toalhas de mesa vermelhas quadriculadas, tábua com vários doces tradicionais, carta de vinho não muito extensa e essa baixaria gastronômica aí embaixo:

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Na ordem (2 da esquerda – 3 da direita):

1 – Fritto di mare: uns peixinhos menores que nossa “sardinha” super crocantes

2 – Crema Catalana: é como se fosse um crème brûlée, só que feito com amido de milho

3 – Ravioli: com molho de camarão e repolho

4 – Tonnareli al pomodoro: um espaguete comprido de formato quadrado com o molho de tomate que contém magia, de tão tão tãããããão mehor que o nosso!

5 – Sbriciolata: a textura me lembrou muito o tiramisú… é meio creme, meio bolo, feito – entre outras coisas – com açúcar refinado, baunilha, amêndoas sem casca, pinhões e leite.

Depois desse “simples” almoço, fomos dar uma volta pela “orla” e depois parada estratégica para descansar, jogar conversa fora e apreciar esses momentos tranquilos e agradáveis de uma viagem sem correria – tudo no expresso canelão. OBS: para quem vai com criança é uma ótima pedida!!!

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Pomezia é uma cidade recém criada comparada a todas as outras cidades pré-históricas da Itália. Foi inaugurada em 1939 e colonizada pelos camponeses pobres das zonas que a cercavam. Depois da Segunda Guerra Mundial tornou-se um centro industrial muito forte, principalmente nas áreas médica e farmacêutica e moram lá, em sua maioria, as pessoas que trabalham nas reservas naturais ou empresas que a rodeiam. Apesar de ela não ter nenhum atrativo, confesso que foi meu primeiro contato com o mar mediterrâneo. hi hi

Fomos a um resturante de frutos do mar e pedimos um prato chamado “Sauté di Cozze” que nada mais é que um espaguete com mexilhão. Eles vêm em cima do espaguete mesmo e você, que é um polvo e tem várias mãos, usa uma para comer – apenas com o garfo – o macarrão, uma mão para tirar o mexilão da sua concha e a outra para limpar toda a lambança que você vai fazer.

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A experiência foi realmente única e eu me apaixonei pela Itália, como eu já esperava que fosse acontecer. Me apaixonei tanto que voltei!! mas isso fica para um próximo post 🙂

Em quanto tempo fiz isso tudo? Pasmem: em apenas 6 dias. E ainda conheci todos os pontos turísticos de Roma nessa mesma viagem.

E o vôo? Peguei uma promoção de vôo direto – RJ/Roma – então fiquei exatos 6 dias inteiros na Itália, entrando e saindo por Roma.

Qual cia aérea? Alitália, e se eu pudesse recomendar, recomendaria até o infinito! A mídia massacra a cia aérea, mas tudo que vi excedeu minhas expectativas.

O que aprendemos?

  • Para fazer essa rota não turística, a melhor ordem é Viterbo – Civita di Bagnoregio – Roma – Lago di Bracciano
  • Comer macarrão apenas com o garfo – sim, a Julia Roberts falou a verdade no filme Comer, Rezar e Amar
  • Coma tudo, mesmo que isso signifique passar mal, ou prepare-se para a inquisição em tempos modernos
  • Itália não se resume a pizza~

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As vantagens de uma hospedagem barata!

A idéia de dividir o quarto com mais 6, 8 ou 10 pessoas, dividir banheiro com desconhecidos e acordar com pessoas falando alto no quarto a noite é um pouco incômoda. Mas bem… quem disse que o cenário é sempre esse? A impressão que eu tenho ao conversar com as pessoas é que essa idéia é fixa, absoluta e inquestionável e eu sinto muito por isso. Então resolvi escrever aqui uma lista das muitas vantagens em optar por uma hospedagem barata.

1 – Você ganha passeios de graça (entrada + transporte de ida e volta) simplesmente por ser turista.

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Exemplo: em Buenos Aires entramos na boate CLUB ONE – entrada 0800, transporte de ida 0800 e entramos sem pegar fila porque éramos VIP.

2 – Alguns albergues têm bar dentro, ou seja, você ecomomiza com transporte, se diverte muito e por um preço justo, já que o menu é adaptado para o bolso de um mochileiro.

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Exemplo: no Peru comemos e bebemos comidas muito gostosas e bebidas muito gostosas no bar do hostel por um preco 2 vezes menor que na rua e as festas la dentro bombavam. 

3 – No caso de uma hospedagem na casa de um local que você tenha conhecido em outras viagens, ou pelo airbnb e couchsurfing (vou falar mais sobre eles depois), é interessante a participação na rotina da pessoa e a troca cultural.

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Exemplo: em Miami fiquei na casa de uma cubana que me buscou no aeroporto, me levou no porto de Miami e depois me buscou no porto de Miami por $ 0.00. Todo dia ela preparava um café cubano e trocávamos uma idéia sobre sua cultura e a minha. Ela disponibilizava a cozinha toda equipada também. No último dia, passei o dia todo na casa dela esperando a hora do vôo sem pagar nada por isso.

4 – E as vezes, paga barato – ou não paga – e tem um ambiente que não deixa tanto a desejar comparado com um hotel básico.

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Exemplo: No deserto do atacama fiquei em um hostel super tranquilo, com uma puta vista e piscina. Os quartos eram silenciosos, limpos todos os dias e as colchas – oxi! Nem se fala… super quentinhas! 

5 – Tem lavanderia inclusa no valor do albergue ou casa de um local – yupiiii!!! E se não tem, o preço é super hiper mega ultra barato. OK – sem fotos dessa vez!!!!!!!! 🙂

6 – Mas a melhor parte mesmo são as amizades – que vão rachar transporte, comida, passeios  e muitos sorrisos – fazendo com que sua viagem saia ainda mais barata e mais divertida também!

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  • Perguntas frequentes:

1 – Mas somos um casal, não dá pra ficar em albergue né?

Quem disse? a grande maioria dos albergues têm quartos para casais, por um preço muito mais em conta que os hotéis e se vocês são um casal animado, vão conhecer pessoas na mesma vibração e usufruir de todos as facilidades que quem fica em quarto compartilhado usufrui.

2 – Como saber qual a melhor opção de hospedagem barata?

Eu sempre entro no mochileiros.com e pesquiso lá no destino que quero as indicações, e depois entro no booking.comhostelbookers e o TripAdvisor e leio 90% das avaliações e faço a comparação do melhor custo benefício. Por que é muito importante pesquisar e, principalmente, interpretar? As vezes uma avaliação considerada ruim tipo “wifi não funciona direito” – para você que quer exatamente se desconectar do mundo – é uma ótima avaliação! ou uma avaliação boa tipo “ambiente familiar e calmo” para você que está indo em busca da maior zueira existente na face da terra é uma péssima avaliação. Então é sempre bom fazer a conta: o que eu quero X o que as pessoas avaliaram = melhor custo malefício benefício.

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3 – Mas é confiável alugar um quarto na casa de uma pessoa que você não conhece?

Meus pais diriam que isso é “o barato que sai caro” ou que “o seguro morreu de velho”. Alô papais e mamães, vamos abrir suas mentes! Leiam as referências SEMPRE, afinal, elas estão lá pra isso. Uma pessoa que está registrada no airbnb, por exemplo, ha 3 anos, com telefone e endereço verificados, uma média de 50 -100 comentários onde 99% deles é positivo… ora, pois! As chances de ser uma emboscada são muito pequenas, quase nulas, comparadas a você reservar um hotel, que não é conhecido, sem referências e online só porque “é um hotel”. Para viajar com uma família grande, inclusive, vale muito mais a pena $$$$$$$$$$$ – porque têm pessoas que alugam o apartamento/casa completo e sai metade do valor de uma big reserva em um big hotel.

4 – Mas e o couchsurfing? Po, sem pagar nada?

Pessoal, existem mesmo pessoas (e muitas) do bem, que querem apenas ajudar quem está viajando. Normalmente, porque sabem a diferença que uma hospedagem barata faz no orçamento e porque curtem e muito trocar experiências culturais. Na insegurança, deixe para se arriscar nesses tipos de hospedagem com mais um ou dois amigos. O couchsurfing também tem referências que estão lá para serem lidas. Outra dica é: lá existem pessoas que se disponibilizam apenas para te encontrar e dar um rolé com você pela cidade. Em uma viagem que você está com tempo e procurando realmente conhecer os pontos não turisticos, ou em uma viagem que você está sozinho e afim de uma cia para passar o tempo, vale super a pena! Depois com o tempo você vai ganhando confiança para de fato arriscar ficar num sofazinho e viver momentos culinários, conversas profundas e costumes locais sem gastar um mango!

DICA: Já se cadastrou no booking.com? Depois de pelo menos 6 reservas no período de 1 ano, você vira um cliente genius e ganha 10% de desconto nos melhores hotéis em mais de 7400 destinos. O ícone Genius aparecerá nos resultados de pesquisa, indicando os hotéis que oferecem esta tarifa especial. O ícone também aparecerá próximo ao nome do hotel e dos quartos com preços Genius.

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DICA 2: Quando se cadastrar no airbnb, e se hospedar na casa de algum local, faça questão de qualificar a pessoa e pedir sua qualificação como visitante. Pontinhos de confiança não fazem mal a ninguém!

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DICA 3: O mesmo serve para o couchsurfing. Procure ler todas as referências e preferências da pessoa que vai te hospedar ou te encontrar para dar um rolé. Não adianta não ler, e depois reclamar que você queria fumar, e ela não permitia isso na casa dela. Ou que você gosta de literatura e ela gosta de matemática financeira. Ou que você queria sair com ela e ela só podia ceder o sofá e não o tempo dela para andar com você. Os interesses têm que ser, no mínimo, parecidos!

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E por último: DIVIRTAM-SE!!!!! 🙂


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A simplicidade dos Lencois Maranhenses

Nunca tinha nem pensando em conhecer os Lençóis, mas dai minha amiga que mora comigo e uma amiga dela pilharam, e eram só 3 dias, entao por que não? O vôo foi super barato, tipo R$ 300 com taxas. Então, lá fomos nós! Chegamos no aeroporto de São Luis depois de 4 horas de viagem. O aeroporto é bem pequeno e simples – arrisco a dizer que é o menor e menos estruturado que vi até hoje.

Como chegar? Do aeroporto, pegamos um busão da Cisne Branco para Barreirinhas, que é a cidade base pros passeios e fica a 260 km de São Luis. Do aeroporto a boa é pegar um taxi pra rodoviária, custa uns R$ 20 – nos éramos 3, então na divisão ficou de graça quase. A passagem de ônibus custa R$ 30 e são 4 opções de horários (6h, 10h30, 14h30 e 18h). A viagem dura 4h30.

Onde ficar? Ficamos em uma pousada simples mas honesta chamada Pousada da Areia. O quarto era triplo, com banheiro privativo, ventilador, frigobar, wifi e café da manhã. As tarifas são bem em conta, principalmente em baixa temporada que é quando nós fomos (abril).

Quando ir? O ideal é ir durante o período de pico pluvial, que é entre dezembro e junho – já que as lagoas se formam com as águas das chuvas. Mas em todo o ano é possivel encontrar lagoas para se banhar.

Culinária maranhense? Das particularidades gastronômicas que encontramos no Maranhão, o bombom de bacuri – que é uma fruta específica da região do norte, o guaraná Jesus – beeeem doce, o suco de cupuaçu que é uma fruta parente do cacau, e o arroz de cuxá – que de tão completo, pode ser servido como prato principal ou acompanhamento – foram as mais marcantes.

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Quantos dias ficar? ficamos três dia e deu para cobrir praticamente tudo. Penso que um fim de semana não é o suficiente, principalmente se você fizer os deslocamentos da forma mais econômica.

O que levar? Protetor solar – dos fortes, boné, repelente e roupas super leves.

Vamos aos passeios!!! Sendo bem sincera, não me lembro com qual agência fechamos os passeios, mas na rua principal, que também é a rua da pousada, existem várias agências e indo em grupo como nós fomos, fica mais fácil chorar os preços. Os passeios saíram em torno de 50-60 reais cada.

O primeiro passeio que fizemos foi da Lagoa Azul (e Esmeralda, da Preguiça, da Paz e do Peixe, todas no mesmo passeio), só que quando fomos, só a Lagoa do Peixe que estava realmente cheia e bonita. Fomos de toyota. No estilo cata corno, pegamos todos em seus respectivos hotéis e depois seguimos no meio da mata com muuuuuita emoção (haja coração!). Em um determinado momento, nós e a toyota temos que atravessar um rio em uma balsa, mas a travessia é rápida e indolor até chegar na outra margem e seguir pelas dunas. Dica: se for fazer o passeio na parte da tarde, não exagere no almoço, porque saculeja MUITO.

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Até chegar a nossa vez (sim – existe fila de toyota) fomos olhar as lojinhas de artesanato e molhar os pés naquela água suuuuuper cristalina.

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Nós fomos caminhando com os guias, subindo e descendo dunas até encontrar as lagoas…

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Não há mesmo o que fazer a noite em barreirinhas, mas somos impacientes e fomos tirar a prova os 9, então demos um rolé a noite pra ver se não tinha nada mesmo. Paramos numa festa estranha com gente esquisita, mas que tinha cerveja barata e uma roda de capoeira, então resolvemos dar um confere.

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No dia seguinte fizemos o passeio de voadeira pelo Rio Preguiça (dura o dia todo e passa pelos Pequenos Lençóis – Vassouras, Mandacaru e Caburé). Na volta choveu e ficou um frio siniiiistro, mas valeu a pena!

voadeira

Nesse passeio, a primeira parada é em Vassouras. Dá pra passear pelas dunas, e curtir a presença ilustre de uns macaquinhos super abusados (no bom sentido da palavra).

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Depois pegamos mais 40 minutos pelo rio, em direção a Mandacaru, uma vila onde tem um farol de onde se tem uma vista linda do rio e dos Lençóis. Nós também encontramos uma caipirinha de caju top e umas lojinhas de artesanato pra variar.

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Depois de Mandacaru, fomos para Caburé que é bem pertinho dali e sinceramente a parte mais legal do passeio. Foi onde passamos a maior parte do dia, comendo, bebendo, relaxando tanto no rio como na praia, isso mesmo. Caburé tem o rio de um lado e uma praiana do outro. Não é caro comer, mas o ideal é fugir dos restaurantes que ficam logo onde os barcos atracam. Nesse dia, tinha um pessoal alugando quadriciclo. E – não que seja comum – mas na minha infância eu sempre pedia um bugre de aniversário. Então me vi de frente a possibilidade de dirigir o primo dele, o quadriciclo. As meninas acharam caro mas daí, elas se distraíram, eu me afastei e voltei causando dirigindo e mandando elas subirem!! ahahaha Fiz aloka… e foi irado! Fomos explorar Caburé.

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Voltamos pra pousada, saímos pra comer de leve e dormimos cedo para aproveitar o dia seguinte.

No terceiro dia, fomos de toyota novamente (com o dobro de emoção), fazer o passeio de bóia-cross pelo rio formiga até o povoado de Cardosa.

O caminho até lá é muito bonito.

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Chegamos na beira do rio, e nos deram aquelas bóias de pneu. O motorista avisou que estaria do outro lado do rio nos aguardando e deixou o guia para nos acompanhar no percursso. Subimos na bóia e fomos seguindo a correnteza do rio, calmamente até o outro lado. Calmamente para alguns, e em pânico para outros como eu. hahahaha A idéia de passar por margens de mato alto (e põe alto nisso) imaginando todos os bichos que estariam embaixo do meu bumbum sem que eu visse, na hora não me ajudou muito. O guia vai ANDANDO, isso mesmo… nas áreas que dão pé e nadando ou segurando na bóia das pessoas nas que não dão. Volta e meia uma bóia agarra no mato da margem ou em algum tronco aleatório no meio do caminho, então ou as pessoas te ajudam, ou você mesmo se ajuda ou o guia, se estiver por perto, te dá uma mãozinha. A paisagem no caminho é irada e a travessia dura em torno de 1 hora. Para quem não sabe nadar, eles dão um colete salva-vidas e o guia dá prioridade a essas pessoas na hora de acompanhar o grupo.

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E na chegada do outro lado do rio, estávam nossos chinelinhos e a Helena nos aguardando.

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A Helena é uma meninina muito espirituosa, neta da moça que fez umas das tapiocas mais deliciosas que já comi na vida. Ela fica com irmãos e a avó no povoado de Cardosa que fica no fim do rio. Quando chegamos, eles nos aguardavam em um quiosque de palha, com fogao a lenha, tapioca feita na hora, redes de descanso penduradas e artesanato para venda.

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E essa foi a minha primeira experiência no nordeste do país. Um lugar não tão turístico e de uma beleza diferente da idéia de nordeste que temos do Brasil. Cabe no bolso e na agenda sem muito esforço. 🙂

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